
O corpo. A voz. O coração.
Não a casa de tijolos, mas a casa que mora por dentro.
Aquela parte sua que você tenta esconder porque ensinaram que era demais.
Se pertencer é um ato de coragem.
É sentar-se no centro da própria existência e dizer: “é daqui que eu sou”, mesmo quando o mundo insiste em dizer que não.
É fazer as pazes com suas escolhas, com as dores que lhe rasgaram e com as raízes que você carrega — ainda que algumas sejam feitas de sombra.
Mas há um aviso urgente escrito nos dias que passam: o tempo está indo embora.
E com ele, vão as chances de ser inteira.
Vão os abraços que você não deu, os nãos que engoliu, as danças que deixou para depois.
E depois… talvez não haja.
A finitude é a única certeza dessa travessia.
Que não nos falte a paz de termos pertencido, a nós mesmas.
Enquanto houver vida, ainda há tempo.
Tempo de desfazer as malas do medo.
Tempo de voltar. De recomeçar.
De criar raízes em si mesma e florescer.
Mesmo que o mundo não entenda.
Mesmo que ninguém aplauda.
Você não veio ao mundo para se esconder de si.
Nem para passar pela vida sem deixar rastro.
Você veio para incendiar silêncios,
para curar o que em você parecia impossível,
e, sobretudo,
para lembrar — com cada gesto simples —
que pertencer é um verbo que começa dentro.
Beijo-te
Papoula

