
Há um tempo que não cabe no relógio.
Um tempo que pulsa no corpo, no sopro, no passo —
mas que não encontra lugar na engrenagem apressada
do mundo que gira por lucro, e não por amor.
Vivemos em um compasso que não é nosso.
Aceleram nossos dias, nos vendem urgências,
nos enchem de metas e promessas com prazo curto
— como se a alma vivesse de prazos.
Mas há uma linguagem antiga, esquecida,
sussurrando por entre o ruído:
a linguagem do sentir.
Do silêncio que acolhe.
Do corpo que sabe.
Da alma que chama.
E é preciso coragem para ouvir.
Coragem para parar.
Para desobedecer
e ouvir o tempo do coração —
que pulsa lento, mas certo.
Que pede pausa, presença, raízes.
Nesse tempo outro, que é quase ficção
aos olhos da pressa,
aprendemos a preservar o que é precioso:
o cheiro do café recém-passado,
o riso partilhado,
a lágrima permitida,
o toque leve que acorda lembranças,
a dança improvisada na sala de casa.
O tempo real não se mede —
se sente.
E talvez esse seja o gesto mais revolucionário:
sentir a vida.


Te amo.